segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Seguindo em Frente

Os patins, patinam
o avião, avia
o carro, carra
a moto, mota
o trem, treme
o boi, bóia
o caminhão, caminha
os pés, pesam
e o andarilho, apenas anda.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Gagueira

A gagueira é um aproveitar melhor das palavras.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Selo

Queria o selo sê-lo? Se não, quem sê-lo-ía? Sê-lo-ei eu então. Seria a solução da solidão. Se solidão é silêncio, o soluço é a solução pra solidão? Sei lá. Só sei que sou selo. Sou solo. Sou só.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Despertador

Todo dia de manhã o despertador vem nos lembrar que o ontem não existe mais.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Textículos XVII

Nada mais justo que beleza rimar com tristeza.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Textículos XVI

A gente descobre que está envelhecendo pela quantidade de copas que já assistiu.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Quando Encontro Comigo

Quando encontro comigo sempre me pergunto o que estou fazendo da vida. A resposta é sempre um silêncio. Um silêncio profundo. Um silêncio desconcertante. Ao mesmo tempo doloroso e confortável. Gosto desse silêncio. Mas finjo que não gosto. Entendo esse silêncio. E finjo que não compreendo. O silêncio traz respostas. Traz perguntas. Respostas certas para perguntas erradas. O tempo é silencioso. O silêncio é vital.

Quando encontro comigo.

Encontro é soma. Soma do tempo e da geografia. De dois ou mais seres. Ou de dois do mesmo ser. Tanto faz se é proposital ou coincidência. Coincidência é encontro. Geralmente encontro comigo de madrugada. Enquanto a cidade dorme. Enquanto a cidade se cala. Pensamento não dorme. Pensamento vaga. Vaga no silêncio.

Finjo que me encontro no silêncio da soma. Mas me encontro mesmo é na soma do silêncio.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Despedida

Despedir é se despir do outro. Despedir é desprender. Despedir é perder. Uma despedida é um des-pedido. Toda despedida tem um pedido. Toda despedida tem um perda. Às vezes, se perde sem pedir. Outras, se pede sem perder. Uma despedida impedida é uma despedida perdida. Um desperdício. Um despedaço. Uma despedida pedida é um pedido despido. Um dispor sem pudor. Um descompasso. Se, despede, se dispara. Se, diz pede, se diz pára. A despedida é evitada, porém, inevitável. É vital. E no fim, todos se despedem.

domingo, 16 de maio de 2010

Textículos XV

Os cílios é o cabelo dos olhos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Textículos XIV

Pipoca doce tem gosto de infância.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Lágrimas

As lágrimas sempre vêm quando não queremos que venham. E quando vêm, insistem em cair. Se há lágrimas, há dor. Se há lágrimas, há saudades. Ah... Saudades! Uma lágrima pode conter uma vida. Um amor. Um alguém. Um você. Lágrima dói. Lágrima fere. Lágrima pesa. As lágrimas percorrem o rosto e entram no coração. A lágrima some. A dor fica. Lágrimas deixam marcas. Lágrimas doem os olhos. Dói a mente. Dói a alma. Se os olhos são as janelas da alma, as lágrimas são pedaços dela indo embora.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Escada

Escada se sobe de degrau em degrau. De grau em grau. De grão em grão. Também se desce. Se desse. Dá. Paro no meio e volto. Paro no meio e continuo. Paro no meio e fico. Paro no me. Escada se pára. Escada separa. Quem tá em cima de quem tá embaixo. Depois inverte. Inverte-se escadando. Escada rolante só sobe. Só desce. Mão única. Corrimão único. Degrau único. Não volta. Só vai. Não pára. Só vai. Parado, sobe. Parado, desce. Parado, não fica. Parado, anda. Ando na escada. Fico na rolante. Subo nas duas. Se escada, canso. Se rolante, não. Percorro uma. Embarco noutra. E assim caminha a humanidade.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Textículos XIII

A escada separa quem tá em cima de quem tá embaixo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Sombras

As sombras são retratos em preto e branco de nós mesmos que nos seguem por onde vamos. Simples criaturas ligadas a nós, presas por vontade. Ou contra a vontade. Às vezes maior às vezes menor que nós. Complexas criaturas camaleônicas que tomam nossas formas sem pedir licença ou qualquer consentimento prévio. Tolas criaturas que com um simples apagar de luzes se perdem no espaço. Morre a sombra. Sobra o resto. Seres inodoros. Seres insípidos. Seres intangíveis. Seres sombrios. Basta ser para se ter sombras. Se não há sombra, não há vida. Na parede, a sombra vaga, no asfalto, se apaga. Se sou sombra de minha sombra, quem de fato sou? Sobretudo, de mim sobra uma sombra que sem sombra de dúvida saboreio.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Textículos XII

O mergulhador é um astronauta aquático.