segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sobriedade

Um Black Label de distância.

Sem gelo por favor.

Me embriago. Dou um trago. Não apago.

Foi.

Volto em instantes.

Voltei.


Realidade não importa. Só importa a mentalidade. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Sobre Cachorros e Gramados

Campeonato de futebol bom é aquele que pelo menos em algum momento, um cachorro invade o campo. Se isso não acontecer, não é um campeonato de respeito. Cachorros adoram invadir o gramado, ouso dizer que um dos habitat natural do cachorro é o campo de futebol, assim como dos Quero-Queros. Mas a grande diferença é que para os pássaros é fácil entrar em campo, haja vista que 99% e uns quebrados dos campos de futebol são descobertos.
Para os cães, essa tarefa exige uma certa sagacidade. Primeiro eles têm que conseguir entrar no estádio, que nem sempre é algo simples, pois existem algumas barreiras físicas como muros, grades, catracas e afins. Após este feito ainda têm que burlar a segurança e demais seres humanos que possam vir a tentar impedi-los.
Quando conseguem esta brecha e alcançam o perímetro do certame, aí pode esquecer que nem a Swat evita a entrada do cão dentro das quatro linhas. E não importa se é mata-mata, se é amistoso, se é final ou se é clássico, se o cão quer entrar ele entra.
E quando entra, ah... quando ele entra! É uma das cenas mais lindas da humanidade, a alegria do Canis lupus familiaris é algo admirável e invejável. Sempre com uma ingenuidade, não quer nunca fazer mal a ninguém, apenas se divertir. Diferente de quando um Homo sapiens faz o mesmo, que nem sempre têm intenções louváveis.
O cachorro quando entra em campo, de alguma forma recebe forças de mestres do futebol, como Garrincha, Cruijjf e companhia limitada, pois adquire uma habilidade que ninguém consegue o pegar, dibra mais que o Ronaldinho Gaúcho. E quando dribla seus perseguidores, é mais bonito que um gol de Pelé! E esse é o único momento em que toda a torcida do estádio se une com o mesmo intuito. Torcidas adversárias, arquibancada, camarote, geral (saudosa geral), todos, sem exceção, em uníssono, torcem pela mesma coisa: a fuga do cão.
A única coisa que se aproxima deste fenômeno de unir torcidas adversárias, é o escorregão de um árbitro em campo. Quando isso acontece, é uma comoção só! A diferença é que este dura apenas alguns segundos, já o episódio canino, pode durar alguns bons minutos.
Campeonatos que isso acontece, ou seja, campeonatos de respeito, geralmente acontecem aqui na América Latina e principalmente em divisões inferiores ou campeonatos cujos holofotes da imprensa nem sempre estão ligados. Nunca vi por exemplo, um chien invadir o campeonato francês, ou um hund invadindo um jogo do campeonato dinamarquês. Muito menos em um mata-mata da Champions League.
E se ele entra em campo e interrompe uma jogada, melhor ainda! O legal é que mesmo que atrapalhe uma grande jogada com perigo de gol, ninguém vai ficar com raiva do animal, digo raiva mesmo, podem até dar uma xingadinha, mas logo logo aquela criatura de quatro patas amolece os corações dos torcedores mais raivosos.
Inclusive, sou a favor de todos os times terem um cachorro como aliado, uma espécie de mascote extra-oficial, mas que o mesmo seja livre, que possa entrar e sair do estádio e do campo a hora que bem entendesse, independente de o time estar ganhando ou perdendo.

Por um mundo com mais cachorros invadindo o campo. Pelo bem do futebol!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Domingos

De repente o café sobra na garrafa.
De repente a música não toca, o filme não passa.
O tempo não passa.
O dia vira noite e a noite...
O domingo vira só uma espera pra segunda.
Segunda-feira. Segunda chance. Segunda vida.
Uma sala de espera vazia, sem cadeiras, sem janelas e sem porta.
Mas não importa, não teria pra onde ir mesmo.
Só se fosse a esmo, a passos lentos e detentos.
Pensei fazer a mala e fugir, mas só fiz amá-la.
Domingos são feitos para se passar a dois.
Um domingo solitário é como uma vitrola emperrada, repetindo o mesmo compasso com notas interrompidas.
Domingo é fim e é começo.
Domingo é um apetrecho, um adereço.
É o endereço da semana.
É quando se emana as angústias da semana passada.
Do passado presente. Do passado da gente.
Domingo é turbulência, e em caso de emergência, máscaras de oxigênio cairão sobre nossas cabeças.
Num domingo à noite, só nos resta mesmo é tocar um tango argentino.

Para Sá

Voou.
Pra além de onde nasce o sol.
Bem pra lá de onde a vista alcança.
Um oceano inteiro de distância.

Mas o que é um Atlântico perto de um amor pacífico?


Voe, minha querida, para até onde sua imaginação chegar.

Desbrave esse mundão. Aprenda. Conheça. Cresça. Descubra. Viva!

Não tenha medo. Não se assuste. Não desista.

É só mais um pedacinho do mundo, a diferença é que eles falam embolado, tomam chá das cinco e andam na contramão.
Na real, se a língua dificultar, apela pra libras.
Fico aqui de coração apertado, mas muito feliz e orgulhoso dessa sua conquista.
Se cuida meu grande bem, ou em inglês, my big ben.
E quando voltar muitos braços estarão abertos para te receber.
É só um bye-bye com sotaque de até logo!

Caixa

Tenho uma caixa fechada que só abre a duas chaves.

Uma chave sempre tive. A outra sempre procurei.

Nunca consegui abrir essa caixa, pois me faltava essa segunda chave.

Gritei. Chorei. Esbravejei. Mas nada adiantava.

Cheguei a desistir de tentar abri-la. Tive medo. Muito medo.

Até que um dia, a outra chave apareceu.

O momento perfeito para abrir a caixa. Desvendar o que tem dentro.

A chave nova encaixou perfeitamente e logo se pôs a girar para abrir.

Girou, girou e girou...

Girou pra todos os lados.

Sutilmente. Carinhosamente. Energicamente. Apaixonadamente.

Mas a caixa não abria.

Seria a chave errada? Não. Era essa a chave certa.

Mas então, qual o problema?

.

E a chave nova tentando, tentando e tentando...

O tempo foi passando e a chave foi se desgastando.

Perdendo a força.

Até que cansou de girar e foi embora.

.

.

.

O problema não era a chave nova e sim a chave antiga.

De tanto tempo sem ser usada, enferrujou.

E agora a caixa volta a ter apenas uma chave.

Impossibilitada de abrir, a caixa chora.