Quando encontro comigo sempre me pergunto o que estou fazendo da vida. A resposta é sempre um silêncio. Um silêncio profundo. Um silêncio desconcertante. Ao mesmo tempo doloroso e confortável. Gosto desse silêncio. Mas finjo que não gosto. Entendo esse silêncio. E finjo que não compreendo. O silêncio traz respostas. Traz perguntas. Respostas certas para perguntas erradas. O tempo é silencioso. O silêncio é vital.
Quando encontro comigo.
Encontro é soma. Soma do tempo e da geografia. De dois ou mais seres. Ou de dois do mesmo ser. Tanto faz se é proposital ou coincidência. Coincidência é encontro. Geralmente encontro comigo de madrugada. Enquanto a cidade dorme. Enquanto a cidade se cala. Pensamento não dorme. Pensamento vaga. Vaga no silêncio.
Finjo que me encontro no silêncio da soma. Mas me encontro mesmo é na soma do silêncio.
terça-feira, 1 de junho de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Despedida
Despedir é se despir do outro. Despedir é desprender. Despedir é perder. Uma despedida é um des-pedido. Toda despedida tem um pedido. Toda despedida tem um perda. Às vezes, se perde sem pedir. Outras, se pede sem perder. Uma despedida impedida é uma despedida perdida. Um desperdício. Um despedaço. Uma despedida pedida é um pedido despido. Um dispor sem pudor. Um descompasso. Se, despede, se dispara. Se, diz pede, se diz pára. A despedida é evitada, porém, inevitável. É vital. E no fim, todos se despedem.
domingo, 16 de maio de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Lágrimas
As lágrimas sempre vêm quando não queremos que venham. E quando vêm, insistem em cair. Se há lágrimas, há dor. Se há lágrimas, há saudades. Ah... Saudades! Uma lágrima pode conter uma vida. Um amor. Um alguém. Um você. Lágrima dói. Lágrima fere. Lágrima pesa. As lágrimas percorrem o rosto e entram no coração. A lágrima some. A dor fica. Lágrimas deixam marcas. Lágrimas doem os olhos. Dói a mente. Dói a alma. Se os olhos são as janelas da alma, as lágrimas são pedaços dela indo embora.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Escada
Escada se sobe de degrau em degrau. De grau em grau. De grão em grão. Também se desce. Se desse. Dá. Paro no meio e volto. Paro no meio e continuo. Paro no meio e fico. Paro no me. Escada se pára. Escada separa. Quem tá em cima de quem tá embaixo. Depois inverte. Inverte-se escadando. Escada rolante só sobe. Só desce. Mão única. Corrimão único. Degrau único. Não volta. Só vai. Não pára. Só vai. Parado, sobe. Parado, desce. Parado, não fica. Parado, anda. Ando na escada. Fico na rolante. Subo nas duas. Se escada, canso. Se rolante, não. Percorro uma. Embarco noutra. E assim caminha a humanidade.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
Sombras
As sombras são retratos em preto e branco de nós mesmos que nos seguem por onde vamos. Simples criaturas ligadas a nós, presas por vontade. Ou contra a vontade. Às vezes maior às vezes menor que nós. Complexas criaturas camaleônicas que tomam nossas formas sem pedir licença ou qualquer consentimento prévio. Tolas criaturas que com um simples apagar de luzes se perdem no espaço. Morre a sombra. Sobra o resto. Seres inodoros. Seres insípidos. Seres intangíveis. Seres sombrios. Basta ser para se ter sombras. Se não há sombra, não há vida. Na parede, a sombra vaga, no asfalto, se apaga. Se sou sombra de minha sombra, quem de fato sou? Sobretudo, de mim sobra uma sombra que sem sombra de dúvida saboreio.
domingo, 20 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
A Semiótica da Vida
Tudo que vejo, nada vejo.
Tudo que olho, imagino.
Tudo que sinto... não sei
Tudo que é, nada é.
Tudo que não é, pode ser.
Tudo que penso... também não sei.
Tudo que estudo, mudo.
Tudo que mudo, estudo.
Tudo que acho... acho que sei.
Tudo que tudo, tudo.
Tudo que,
Tudo... sei.
Quando acaba o sempre?
Quando começa o nunca?
Quando tudo é tudo?
Tudo que olho, imagino.
Tudo que sinto... não sei
Tudo que é, nada é.
Tudo que não é, pode ser.
Tudo que penso... também não sei.
Tudo que estudo, mudo.
Tudo que mudo, estudo.
Tudo que acho... acho que sei.
Tudo que tudo, tudo.
Tudo que,
Tudo... sei.
Quando acaba o sempre?
Quando começa o nunca?
Quando tudo é tudo?
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
De Pai Pra Filho
Era uma vez uma família tradicional européia. Os Malebranches. Há muitos e muitos anos, se orgulham de serem os melhores alfaiates da cidade. Possuem técnicas próprias que jamais uma pessoa de fora da família teve conhecimento. Somente um verdadeiro Malebranche conhece e pode usar as técnicas secretas da família. Essa tradição começou no século XVI. Com Sebastian Malebranche. No quintal de seu casebre, fazendo roupas para a realeza. No leito de sua morte, chamou seu filho, Vermont e passou todo seu conhecimento para dar continuidade aos negócios. Vermont ensinou seus filhos desde pequenos, as técnicas do alfaiate malebranchino. E os ensinou também a nunca revelar para ninguém que não fosse um legitimo herdeiro Malebranche as técnicas e segredos. E assim foi. Por gerações e gerações após. Uma tradição passada de pai para filho. Técnicas ensinadas de pai para filho. Os pequenos viviam na ansiedade de aprender com seus pais, essa tradição de tantos anos. O maior orgulho de um pai Malebranche era ensinar seu filho as técnicas aprendidas com seu pai, que aprendeu com seu pai, que aprendeu com seu pai. E assim por diante. Até que um dia nasceu um auto didata e estragou tudo. Quando seu pai foi lhe ensinar, o moleque já sabia. Tinha aprendido sozinho. Pondo fim assim, a uma tradição de séculos e mais séculos.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
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