quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Passado

O passado quando passa, toma forma de lembrança.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Exemplo

Uma vez minha família foi rendida por bandidos dentro de um banco. Muito tumulto. Até que uma trágica hora, os bandidos resolveram eliminar algum refém para assustar as autoridades. Um dos bandidos forçou meu pai a escolher um de seus filhos para isso. Em uma atitude muito honrada, meu pai disse que jamais escolheria entre seus filhos e se ofereceu no lugar. Esse dia aprendi uma lição. Agora, crescido, com meus filhos, passei por uma situação bem parecida. Fui alvo de bandidos novamente junto com minha família. E quando o bandido me falou que era pra eu escolher entre meus filhos, um só pra ser libertado, um filme passou em minha cabeça. Lembrei na hora de meu pai . É como se ele estivesse ali falando comigo. Não deu outra. Segui o exemplo de meu pai. Pedi pra ser libertado no lugar de meus filhos.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Riso

Ataque de riso cansa.

domingo, 26 de setembro de 2010

Hoje

Não quero saber que dia é hoje. Não tem porquê saber que dia é hoje. Hoje é hoje. Simplesmente. Não preciso descansar só porque hoje é dia de descansar. Não preciso esperar pra descansar só porque hoje ainda não é dia de descansar. Não é preciso. É impreciso. O que eu preciso eu faço hoje. Independente de qual hoje.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Cuco

Casa de cuco só abre com hora marcada.

Sei

Sei viver só. Mas não só, sei mais.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Seguindo em Frente

Os patins, patinam
o avião, avia
o carro, carra
a moto, mota
o trem, treme
o boi, bóia
o caminhão, caminha
os pés, pesam
e o andarilho, apenas anda.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Gagueira

A gagueira é um aproveitar melhor das palavras.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Selo

Queria o selo sê-lo? Se não, quem sê-lo-ía? Sê-lo-ei eu então. Seria a solução da solidão. Se solidão é silêncio, o soluço é a solução pra solidão? Sei lá. Só sei que sou selo. Sou solo. Sou só.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Despertador

Todo dia de manhã o despertador vem nos lembrar que o ontem não existe mais.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Textículos XVII

Nada mais justo que beleza rimar com tristeza.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Textículos XVI

A gente descobre que está envelhecendo pela quantidade de copas que já assistiu.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Quando Encontro Comigo

Quando encontro comigo sempre me pergunto o que estou fazendo da vida. A resposta é sempre um silêncio. Um silêncio profundo. Um silêncio desconcertante. Ao mesmo tempo doloroso e confortável. Gosto desse silêncio. Mas finjo que não gosto. Entendo esse silêncio. E finjo que não compreendo. O silêncio traz respostas. Traz perguntas. Respostas certas para perguntas erradas. O tempo é silencioso. O silêncio é vital.

Quando encontro comigo.

Encontro é soma. Soma do tempo e da geografia. De dois ou mais seres. Ou de dois do mesmo ser. Tanto faz se é proposital ou coincidência. Coincidência é encontro. Geralmente encontro comigo de madrugada. Enquanto a cidade dorme. Enquanto a cidade se cala. Pensamento não dorme. Pensamento vaga. Vaga no silêncio.

Finjo que me encontro no silêncio da soma. Mas me encontro mesmo é na soma do silêncio.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Despedida

Despedir é se despir do outro. Despedir é desprender. Despedir é perder. Uma despedida é um des-pedido. Toda despedida tem um pedido. Toda despedida tem um perda. Às vezes, se perde sem pedir. Outras, se pede sem perder. Uma despedida impedida é uma despedida perdida. Um desperdício. Um despedaço. Uma despedida pedida é um pedido despido. Um dispor sem pudor. Um descompasso. Se, despede, se dispara. Se, diz pede, se diz pára. A despedida é evitada, porém, inevitável. É vital. E no fim, todos se despedem.

domingo, 16 de maio de 2010

Textículos XV

Os cílios é o cabelo dos olhos.